Ministério Público pede cassação de André Barreto e que ex-prefeito Zé Ailton fique inelegivel

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A situação jurídica do prefeito do Crato, André Barreto, ganhou um novo e decisivo capítulo com a manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE), publicada nesta sexta, dia 24 de abril de 2026  que pede a cassação do mandato no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O parecer, baseado em novos documentos anexados ao processo, reforça a tese de abuso de poder político e indica um cenário de risco real para a permanência do gestor no cargo. O pedido também atinge o ex-prefeito José Ailton Brasil,  que pode ficar inelegivel.

De acordo com o MPE, as provas mais recentes consolidam o entendimento de que houve interferência direta da administração municipal em um serviço público essencial durante o período eleitoral de 2024. O ponto mais sensível da investigação envolve a atuação da concessionária Ambiental Crato, que confirmou ter recebido solicitação do poder municipal para suspender cortes por inadimplência, ações de fiscalização e aplicação de multas.

Segundo o parecer, essa suspensão teve início em setembro de 2024 — fase considerada decisiva da campanha — e alcançou todo o território do município. Para o Ministério Público, a medida não pode ser vista como administrativa comum, já que ocorreu em momento estratégico e sem comprovação de necessidade técnica urgente.

O órgão sustenta que houve desvio de finalidade, ou seja, o uso da estrutura pública com objetivo político-eleitoral. A suspensão de cobranças e penalidades em larga escala teria gerado benefício direto à população, com potencial de influenciar o eleitorado e favorecer a candidatura ligada à continuidade da gestão.

O tom da manifestação é considerado firme: o Ministério Público afirma que os novos documentos não apenas mantêm as conclusões anteriores, mas reforçam a caracterização do abuso de poder político.

Além disso, o MPE rebate os argumentos apresentados pela defesa, que tentou justificar as medidas com base em atos administrativos como leis, decretos e relatórios. Para o órgão, esses elementos não afastam o ponto central da acusação: a adoção de uma medida ampla, imediata e com forte impacto social justamente no período eleitoral.

Do ponto de vista jurídico, o caso se enquadra em uma das hipóteses mais graves da legislação eleitoral. Quando comprovado o abuso de poder político, a consequência pode ser a cassação do mandato e a inelegibilidade dos envolvidos.

Com o pedido explícito de cassação por parte do Ministério Público, o processo entra em uma fase decisiva. Caberá agora à Justiça Eleitoral da 27ª Zona de Crato analisar o conjunto das provas e definir se houve irregularidade e quais sanções devem ser aplicadas.

Embora ainda caibam recursos, o teor do parecer eleva significativamente o risco político para o prefeito André Barreto. A decisão final poderá provocar desdobramentos relevantes no cenário político do município, inclusive com impacto direto na continuidade da atual gestão.

O caso também reacende o debate sobre os limites da atuação de gestores públicos em ano eleitoral e reforça o papel da Justiça Eleitoral na fiscalização do uso da máquina pública durante as disputas.

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