O cenário político do Ceará vive um dos seus momentos mais impactantes dos últimos anos. O deputado estadual Pedro Lobo anunciou oficialmente sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda à qual esteve filiado por mais de duas décadas e onde construiu toda a sua trajetória política.
A decisão foi comunicada por meio de uma
carta extensa, enviada à Direção Estadual do partido no Ceará, documento que já
circula amplamente nos bastidores políticos e causa forte repercussão no Cariri
e em todo o Estado.
A carta, carregada de emoção, memória
política e críticas contundentes, praticamente reconstrói toda a trajetória do
parlamentar dentro do partido e deixa claro que sua saída ocorre em meio a
acusações que ele classifica como injustas e a um “pré-julgamento político”.
O simbolismo da decisão
Pedro Lobo inicia sua carta destacando que o
anúncio ocorre no mês em que o PT celebra 46 anos de fundação:
“Escrevo esta carta neste mês em que o
Partido dos Trabalhadores celebra seus 46 anos de história. Uma data carregada
de simbolismo, memória, luta e esperança.”
Logo em seguida, revela o peso emocional da
decisão:
“Também escrevo com o coração apertado,
atravessado por um sentimento profundo de tristeza, mas guiado pela coerência
que sempre marcou minha trajetória política.”
O deputado faz questão de reafirmar que o PT
foi seu primeiro partido:
“Sou filiado ao Partido dos Trabalhadores há
mais de vinte anos, sendo o meu primeiro partido político.”
Uma trajetória construída dentro do PT
Ao longo da carta, Pedro Lobo relembra cada
função exercida dentro da legenda:
“Ao longo desse tempo, atuei como militante
de base, dirigente municipal e estadual, vereador por dois mandatos no Crato,
parlamentar na Assembleia Legislativa do Ceará e presidente do PT do meu
município.”
Ele reforça que sempre defendeu o partido com
lealdade:
“Em todas essas funções, honrei a estrela
vermelha com lealdade, trabalho e compromisso com o povo.”
O parlamentar relembra ainda sua atuação
durante momentos difíceis da legenda:
“Estive ao lado do PT nos momentos mais
difíceis da sua história recente.”
“Quando o partido enfrentava derrotas
eleitorais, quando éramos atacados, criminalizados e isolados politicamente,
nunca soltei a mão do PT.”
Defesa de Lula e Dilma
Na carta, Pedro Lobo menciona diretamente o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e a ex-presidente Dilma Rousseff,
reforçando seu histórico de militância ativa.
Sobre Lula:
“Quando o presidente Lula foi preso
injustamente, lá estive, organizando a militância, conscientizando o povo e
construindo o movimento Lula Livre.”
Sobre Dilma:
“Quando a presidenta Dilma Rousseff sofreu um
impeachment injusto, estive nas ruas e nas redes, denunciando o golpe e
defendendo a democracia.”
E enfatiza:
“Nunca me escondi. Nunca me omiti. Nunca
negociei meus princípios.”
Atuação parlamentar
Pedro Lobo também destaca sua atuação como
deputado estadual:
“Como parlamentar, busquei honrar o PT com
propostas e ações voltadas à melhoria da vida do povo cearense.”
Ele cita áreas específicas defendidas por seu
mandato:
“Na Assembleia Legislativa, defendi pautas
estratégicas como a segurança hídrica, a segurança alimentar, a cultura, o
turismo, o desenvolvimento regional do Cariri e as políticas públicas dos
governos do presidente Lula e do governador Elmano de Freitas.”
Segundo ele, sempre agiu com espírito
coletivo:
“Sempre fiz isso com espírito coletivo e
respeito às instâncias partidárias, sem jamais abandonar o trabalho de base.”
O ponto de ruptura
A parte mais sensível da carta surge quando o
deputado fala sobre as acusações que vêm enfrentando:
“Tenho sido vítima de uma campanha cruel e
injusta de desmoralização, baseada em acusações que não correspondem à verdade
e que serão devidamente esclarecidas e provadas na Justiça.”
Ele afirma que foi condenado politicamente
antes de se defender:
“Ainda assim, antes mesmo do direito à ampla
defesa, do contraditório e da escuta, tenho sido julgado e condenado
politicamente.”
E lamenta o posicionamento interno:
“Lamento que segmentos do partido tenham
realizado um pré-julgamento público.”
Além disso, faz um pedido claro:
“Espero que, após a comprovação da minha
inocência pela Justiça, haja também uma retratação pública.”
Mágoa interna
Pedro Lobo revela profunda decepção:
“Dói profundamente constatar que, inclusive
dentro do próprio partido ao qual dediquei minha vida, não houve o cuidado, a
escuta e o respeito à minha trajetória.”
Ele também menciona divergências políticas
passadas:
“Sempre mantive minha voz ativa, inclusive
quando foi necessário divergir, de forma coerente e responsável, de decisões
que, no meu entendimento, não dialogavam com os anseios do povo do Crato.”
E esclarece:
“Fiz isso por convicção política, nunca por
vaidade ou interesse pessoal.”
Contexto eleitoral
Em outro trecho importante, Pedro Lobo
contextualiza sua decisão dentro do cenário político estadual e nacional:
“Vivemos um momento delicado, às vésperas de
um novo ciclo eleitoral, no qual o nosso partido buscará a reeleição do
governador do Ceará e a continuidade de um projeto nacional liderado pelo
presidente Lula.”
Ele afirma não querer causar constrangimentos
ao partido:
“Não quero, em hipótese alguma, ser utilizado
como instrumento para fragilizar o PT ou criar constrangimentos políticos ao
partido que ajudei a construir.”
A decisão oficial
O anúncio formal é feito com tom emocional:
“Por esse motivo, e com o coração
entristecido, comunico minha decisão de solicitar minha desfiliação do Partido
dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.”
Mas ele deixa claro que não rompe com suas
convicções:
“Faço isso não como um rompimento com as
ideias, as lutas e os valores que sempre defendi, mas como um gesto de
responsabilidade política, humildade e amor ao PT.”
Uma das frases mais fortes da carta diz:
“Não largo a mão do partido — mais uma vez,
escolho protegê-lo, mesmo que isso me custe uma dor imensa.”
“Saio do PT, mas não saio da luta”
Ao encerrar a carta, Pedro Lobo reafirma suas
bandeiras:
“Saio do PT, mas não saio da luta.”
“Não abandono as causas populares, os
direitos do povo trabalhador, a defesa das classes empobrecidas, nem o
compromisso com o Crato, o Cariri e o Ceará.”
E conclui:
“A história há de colocar cada coisa no seu
lugar. Sigo firme, com a consciência tranquila, de cabeça erguida e trabalhando
para garantir um Ceará, em especial, um Cariri mais justo, com menos
desigualdade e desenvolvido para todas e todos!”
Repercussão
A desfiliação de Pedro Lobo representa uma
das maiores rupturas recentes dentro do PT no interior do Ceará. Deputado
estadual em exercício, ex-presidente municipal da legenda e liderança
consolidada no Cariri, sua saída altera o equilíbrio político regional.
Nos bastidores, a decisão já é tratada como
um divisor de águas na política do Cariri em 2026.
Até o momento, a Direção Estadual do PT Ceará
não se pronunciou oficialmente.
O fato é que a carta de Pedro Lobo não apenas
anuncia uma desfiliação — ela registra um capítulo histórico na política
cearense. E os próximos movimentos prometem redesenhar o cenário eleitoral no
Estado.
