Em entrevista à ao jornalista Paulo Dimas da Rádio Princesa, o deputado estadual Pedro Lobo (PT) confirmou de forma categórica o rompimento político com o prefeito do Crato, André Barreto (PT), e fez duras críticas à postura da atual gestão municipal, que, segundo ele, não valoriza aliados históricos, rompe acordos políticos e atua de forma deliberada para enfraquecer quem ajudou a construir o projeto vitorioso do partido no município.
O tom da entrevista foi de forte denúncia. Pedro Lobo acusou diretamente o prefeito de praticar assédio político, utilizando a máquina administrativa para cooptar lideranças, apoiadores e eleitores ligados ao seu grupo, por meio da oferta de cargos, benefícios e vantagens dentro da Prefeitura. Para o deputado, trata-se de uma postura “antiética, pequena e incompatível com quem se elegeu discursando em nome da unidade partidária”.
Segundo o parlamentar, a crise começou ainda no processo de sucessão municipal, após a reeleição do ex-prefeito Zé Ailton Brasil, quando a militância do PT esperava que o comando político do Crato permanecesse com o partido e com quem tinha legitimidade interna para liderar o projeto. Pedro Lobo destacou que possuía maioria expressiva no diretório municipal e amplo apoio da militância, o que o colocava como nome natural para disputar os rumos do partido.
Ele revelou que houve um acordo formal dentro do PT para o lançamento de uma chapa pura, com candidatura própria à Prefeitura e ele compondo como vice. No entanto, o compromisso foi rapidamente abandonado.
“Não cumpriram o acordo. Logo após a reunião, começou o rompimento”, afirmou, evidenciando o que classificou como uma sucessão de traições políticas.
Mesmo sendo preterido e isolado, Pedro Lobo disse que permaneceu na campanha por responsabilidade política, atendendo a pedidos do governador e da militância petista, contribuindo para a vitória eleitoral, apesar da clara desmobilização interna promovida pelo grupo hoje no comando da Prefeitura. Após o pleito, segundo ele, o mesmo grupo teria articulado uma chapa interna com o único objetivo de derrotá-lo na eleição partidária e tomar o controle do PT no Crato, aprofundando ainda mais a divisão.
O deputado foi ainda mais incisivo ao criticar a postura do prefeito André Barreto, afirmando que a atual gestão demonstra ingratidão política, não reconhece quem ajudou a eleger o projeto e prefere governar a partir da exclusão, do favorecimento seletivo e do uso do poder para perseguir adversários internos. Para Lobo, trata-se de um modelo que enfraquece o partido, desestimula a militância e rompe com os princípios históricos do PT.
Ao falar sobre 2026, Pedro Lobo confirmou que será candidato à reeleição e comentou a possível disputa interna com o ex-prefeito Zé Ailton Brasil. Disse encarar o cenário com serenidade, mas voltou a alertar para o que chamou de uma ação coordenada da gestão municipal para interferir diretamente no processo eleitoral.
“Há um movimento claro, liderado pelo atual prefeito, para beneficiar o ex-prefeito, assediando meus eleitores e apoiadores”, denunciou.
Apesar das críticas contundentes, o deputado afirmou que vê o embate como parte do jogo democrático. Ainda assim, deixou claro que o Crato vive hoje uma crise política profunda, marcada por falta de diálogo, quebra de compromissos e desvalorização de aliados, com reflexos diretos não apenas no PT, mas em toda a governabilidade do município.
