Ciro Gomes se filiará ao PSDB e retoma protagonismo político no Ceará

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O cenário político cearense ganha novos contornos com o retorno de Ciro Gomes ao PSDB, partido pelo qual governou o Ceará entre 1991 e 1994. Após dez anos de filiação ao PDT, o ex-ministro anunciou nesta sexta-feira (17) sua saída da legenda e, horas depois, teve confirmada sua filiação ao PSDB, em um movimento que simboliza não apenas uma mudança partidária, mas uma recomposição de forças na oposição estadual.

O anúncio foi feito pelo presidente do PSDB no Ceará, Ozires Pontes, que destacou a importância do retorno de Ciro à sigla. Ozires afirmou estar “emocionado” com o reencontro entre Tasso Jereissati e Ciro, classificando o ex-senador como o principal articulador da volta do ex-governador ao ninho tucano. “O PSDB está em festa. Ciro foi o primeiro governador tucano do Brasil e sua chegada marca uma nova etapa para o partido e para o Ceará”, afirmou.

O ato de filiação oficial está marcado para a próxima quarta-feira (22), às 9h, em um hotel de Fortaleza, e deve reunir importantes lideranças políticas ligadas à oposição.

A força de Ciro e o novo papel na oposição

Com a mudança de partido, Ciro Gomes reafirma sua posição como uma das principais vozes de oposição ao governo estadual e federal. Mesmo após anos de divergências e afastamentos internos, o ex-governador mantém uma forte presença política e simbólica no Ceará, com apoio consolidado entre setores que buscam um novo projeto administrativo para o Estado.

A movimentação é vista como o renascimento do grupo político histórico que marcou o desenvolvimento cearense nos anos 1990, sob a liderança de Tasso Jereissati. O reencontro entre Ciro e Tasso é interpretado como um gesto de maturidade política e reconstrução de alianças, capazes de reequilibrar o jogo político local em direção às eleições de 2026.

Fontes próximas ao ex-ministro afirmam que Ciro deve ser pré-candidato ao Governo do Estado, enfrentando o atual governador Elmano de Freitas (PT). Pesquisas internas indicam que seu nome é o mais competitivo dentro do campo oposicionista, especialmente diante dos desafios enfrentados pela atual gestão nas áreas de segurança pública e economia.

Saída do PDT e críticas à condução partidária

Em carta enviada à direção nacional do PDT, Ciro destacou ter deixado o partido “com serenidade e respeito”, mas não escondeu o descontentamento com o que chamou de “burocratização e perda de autonomia política no Ceará”. Em declarações anteriores, o ex-ministro afirmou que “a burocracia do PDT me tirou o partido no Ceará” e que, se quisesse disputar um cargo eletivo, “não poderia”.

A decisão encerra um ciclo de uma década dentro da legenda que abrigou sua candidatura à Presidência da República em 2022, mas que, segundo ele, se afastou de suas origens trabalhistas e do diálogo democrático.

Rearticulação e cenário para 2026

A filiação de Ciro ao PSDB fortalece o bloco oposicionista no Ceará, que já discute alianças com PSDB, PL e União Brasil. A expectativa é de que o ex-ministro lidere um projeto unificado de oposição, evitando a dispersão de forças nas disputas majoritárias.

Com o apoio de Tasso Jereissati — nome de peso histórico e símbolo de estabilidade administrativa —, Ciro Gomes ressurge como um pilar central da resistência política ao domínio petista no Estado, trazendo de volta o debate sobre gestão eficiente, ética pública e desenvolvimento econômico.

A trajetória de Ciro, marcada por posições firmes, experiência administrativa e protagonismo nacional, reforça sua imagem como um dos políticos mais influentes do Ceará e do país, agora em uma nova fase que promete revitalizar a oposição e reacender o debate sobre os rumos do Estado.

Texto : Paulo Dimas
Foto: Jornal O Povo

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