Ministério Público Eleitoral pede cassação do prefeito do Crato, André Barreto e inelegibilidade de Zé Ailton

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O cenário político do Crato voltou a ganhar forte repercussão após o Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentar parecer conclusivo na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600661-32.2024.6.06.0027, em tramitação na 27ª Zona Eleitoral do município.

No documento, o MPE se posiciona pela cassação do prefeito do Crato, André Barreto Esmeraldo, do vice-prefeito Francisco Leitão Moura (Dr. Leitão), além da declaração de inelegibilidade do ex-prefeito José Ailton de Sousa Brasil, apontando a prática de abuso de poder político e condutas vedadas durante o processo eleitoral de 2024.


Origem da ação

A AIJE foi proposta pela Coligação Muda Crato, pelo então candidato Aloísio Antônio Gomes de Matos Brasil e pelo União Brasil municipal. A acusação central sustenta que houve utilização da máquina administrativa e interferências em atos de gestão pública com impacto direto no equilíbrio da disputa eleitoral.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, as provas reunidas ao longo da instrução processual indicariam que determinadas medidas adotadas pela gestão municipal teriam extrapolado os limites administrativos e assumido contornos eleitorais.


Pontos centrais analisados no processo

Entre os principais fatos apurados estão:

·         A atuação do Município em relação ao contrato de concessão firmado com a empresa Ambiental Crato;

·         A tentativa de retomada da gestão comercial vinculada à SAAEC;

·         A discussão envolvendo multas, cobranças e fiscalizações realizadas durante o período eleitoral;

·         Depoimentos de testemunhas que relataram possíveis pressões políticas;

·         Documentos administrativos juntados aos autos, inclusive apresentados após a fase inicial da instrução.

O Ministério Público também analisou a cronologia dos atos administrativos, buscando verificar se houve coincidência estratégica entre decisões da gestão pública e o calendário eleitoral.


Entendimento do Ministério Público Eleitoral

No parecer final, o MPE sustenta que houve configuração de abuso de poder político, com potencial para influenciar o resultado do pleito municipal.

De acordo com a manifestação ministerial, as condutas analisadas teriam:

·         Ultrapassado o campo meramente administrativo;

·         Produzido reflexos diretos na disputa eleitoral;

·         Comprometido a paridade de armas entre os candidatos.

Com base nisso, o órgão pediu:

1.   A cassação dos diplomas de André Barreto e Francisco Leitão Moura;

2.   A declaração de inelegibilidade dos investigados, incluindo o ex-prefeito José Ailton de Sousa Brasil, nos termos da Lei Complementar nº 64/1990;

3.   O reconhecimento formal da prática de abuso de poder político.

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